Hackers éticos descobriram uma maneira de invadir um blockchain de US$ 70 bilhões — com um orçamento de US$ 3,000...
Descobriu-se que você não precisa de um orçamento de Estado-nação para ameaçar uma blockchain multimilionária. Você precisa de cerca de US$ 3,000 e um ótimo fim de semana.
Essa é a lição incômoda de uma divulgação que veio a público em 4 de julho, quando a empresa de segurança Hexens revelou uma falha crítica encontrada na Aptos em fevereiro. O bug estava dentro da máquina virtual Move, o mecanismo que executa todos os contratos inteligentes da blockchain, e era tão grave que a Hexens estimou o risco sistêmico de primeira ordem em cerca de US$ 70 bilhões. Para uma rede que se promove com base em velocidade e segurança, esse não é um número que alguém queira associado ao seu nome. A boa notícia, que abordaremos adiante, é que nenhum fundo foi perdido. A má notícia é o quão pouco teria sido necessário para mudar isso.
A história é importante porque a Aptos não é uma rede de testes abandonada. É uma infraestrutura de camada 1 de alto nível, com stablecoins reais, pontes reais e dinheiro real alocado em seu ecossistema. Quando um pesquisador diz que uma falha poderia ter alcançado tanto valor, ele não está falando apenas de tokens em carteiras. Ele está falando da infraestrutura que conecta a Aptos ao resto do mercado de criptomoedas. E as pessoas que descobriram isso fizeram com um orçamento que não daria para comprar um PC gamer decente.
O que eles realmente descobriram
A Hexens descreveu o problema como um "bug de cache obsoleto" que levou a uma vulnerabilidade de confusão de tipos. Em termos simples, isso significa que o software poderia ser enganado para tratar um tipo de recurso on-chain como se fosse completamente diferente. Se você já entregou a chave errada para alguém e viu essa pessoa abrir uma porta que nunca deveria ter aberto, você tem uma ideia do que se trata. De acordo com a empresa, a falha permitia que um atacante potencialmente sequestrasse structs e recursos de autoridade on-chain, que são as estruturas de dados principais que decidem quem possui o quê e quem tem permissão para fazer o quê. Ao manipular esses recursos, as regras normais de propriedade perdem o sentido.
A confusão de tipos é um daqueles tipos de bugs que soam acadêmicos até que se tornem problemas reais. Ela assombra o software tradicional há décadas, e a linguagem Move foi especificamente projetada para dificultar esse tipo de problema. É por isso que essa descoberta é um pouco decepcionante. O principal argumento de venda do Move é que ele trata os ativos digitais como um recurso especial que o compilador protege rigorosamente, então ver uma falha de confusão de tipos surgir no Aptos é um pouco como encontrar um furo no barco que todos prometiam ser inafundável.
A parte assustadora: custou US$ 3,000 para que isso acontecesse.
Muitas vulnerabilidades em blockchain exigem muito dinheiro, acesso privilegiado ou controle de uma grande parte da rede. Esta, supostamente, não. A Hexens afirma ter simulado o ataque em condições reais de rede com uma taxa de sucesso superior a 90%, usando uma configuração de servidor que custou cerca de US$ 3,000 e representou aproximadamente um terço do conjunto de validadores. Sem permissões especiais, sem ajuda de pessoas de dentro do sistema, sem cooperação de ninguém que já estivesse dentro dele. Essa combinação é o que transforma uma curiosidade técnica em uma verdadeira emergência, porque significa que a barreira de entrada era quase nula. Quando o custo para explorar algo é medido em centenas ou poucos milhares de dólares e o prêmio é medido em bilhões, você está contando inteiramente com o fato de que ninguém mais vai perceber primeiro.
De onde vem o número de 70 bilhões de dólares?
A cifra de US$ 70 bilhões soa quase caricatural para uma blockchain cujo valor de mercado do token é uma fração disso, então vale a pena explicar. Hexens não estava afirmando que US$ 70 bilhões estão diretamente relacionados à Aptos. A estimativa abrange tudo o que a falha poderia ter atingido por meio das conexões que o mercado de criptomoedas construiu silenciosamente nos últimos anos. Isso inclui a movimentação de valor através de pontes, sistemas de mensagens entre blockchains, fluxos de administração de stablecoins e ativos custodiados por exchanges centralizadas que interagem com a rede. O mercado de criptomoedas moderno é interligado, e uma falha em uma blockchain importante não fica confinada apenas a ela. Esse é o verdadeiro alerta aqui, e se aplica a muito mais do que apenas a Aptos.
A solução discreta que ninguém ouviu falar até agora.
Eis a parte que impede que isso se torne uma história de terror. A Hexens reportou a falha através do programa de recompensas por bugs da Aptos Labs em 25 de fevereiro, e a equipe afirma que uma correção foi desenvolvida, testada e implementada na rede principal poucas horas após a descoberta. Um porta-voz da Aptos disse CoinDesk que nenhum usuário ou fundo foi afetado em nenhum momento, e os detalhes só foram divulgados meses depois, que é exatamente como a divulgação responsável deve funcionar. Os pesquisadores foram pagos, a falha foi corrigida antes que alguém com más intenções a encontrasse, e o público em geral ficou sabendo quando já era seguro falar sobre o assunto.
Ainda assim, vale a pena refletir sobre o que quase aconteceu. Uma falha que poderia ter afetado US$ 70 bilhões em valor conectado foi corrigida por um programa de recompensas por bugs e uma resposta rápida da equipe de engenharia, e não por sorte no momento do ataque. Se os hackers éticos não tivessem chegado primeiro, a história seria bem diferente. A lição para quem investe em criptomoedas não é entrar em pânico especificamente com o Aptos, que já foi corrigido, mas sim perceber o quanto a segurança desse setor ainda depende de um pequeno grupo de hackers éticos que optam por enviar um e-mail em vez de esvaziar uma carteira. É uma linha tênue, e vale a pena lembrar disso na próxima vez que uma blockchain afirmar ser inquebrável.
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Autor: Dorian Fenwick
Silicon Redação Vale
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